PM que deu selinho em homem é ameaçado na rua: ‘Seus viados! Vão morrer’

Soldado Leandro Prior estava passeando com parceiro quando ouviu a ameaça; ele já vinha sofrendo ataques na internet depois que o vídeo do beijo dado no metrô viralizou

Soldado Leandro Prior: “A PM vai ter que me engolir”, disse à Ponte | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

O soldado Leandro Prior, ameaçado na internet por conta de um vídeo em que aparece dando um selinho em um homem com a farda da corporação, recebeu nova ameaça, dessa vez presencialmente. Ele estava acompanhado de um homem, quando foi ameaçado por uma pessoa desconhecida, que passava em um carro.

Os dois estavam andando em uma rua quando foram abordados aos gritos. “Seus viados, vão tomar no cu. Vocês vão morrer!”, gritou de dentro de um veículo Peugeot 206 de cor preta. Segundo o B.O. (Boletim de Ocorrência) do caso, o motorista fez a ameaça e saiu com o carro.

Desde que o vídeo em que aparece dando um selinho em um homem no metrô de São Paulo viralizou nas redes sociais, Leandro tem convivido com ataques, sempre virtuais. Algumas dessas ameaças vieram dos “irmãos de farda”, entre eles um sargento da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), que acabou fazendo com que o soldado registrasse a ocorrência. O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), repreendeu o policial pela atitude, declarando que “a farda tem que ser respeitada”.

Prior registrou o caso na Ouvidoria das Polícias de São Paulo e também formalizou um pedido de apuração junto à Corregedoria da PM, por se tratar de ameaças vindas de outros policiais. A investigação está em andamento – o PM também é alvo de inquérito, este para avaliar sua “desatenção” ao beijar o homem em público.

À Ponte, ele declarou que não cogita sair da corporação. “A PM vai ter que me engolir”, disse. “A máscara da homofobia da instituição caiu. Hoje ela mostra a sua verdadeira faceta, a do preconceito, do ódio, a da não aceitação”, criticou Prior.

No caso da ameaça presencial, já se sabe que o carro é de posse da empresa AGF Brasil Seguros S/A, após o delegado do 24º DP (Distrito Policial) pesquisar modelo e placa na Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo).

A Ponte tentou falar com representantes da empresa, mas, até o momento, não foi atendida.

Questionado sobre o novo caso, o Corregedor da PM de SP, coronel Marcelino Fernandes, explicou que o soldado não oficializou a ocorrência no órgão. “Estamos sabendo que civis, que não sabiam que ele era PM, passaram por ele e o companheiro e os xingaram. Um ato de homofobia na rua, me parece”, descreveu.

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