PM reclama de “palavras que machucam” e ameaça vetar ato em São Paulo

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Vigília pela liberdade de Rafael Braga e dos membros do MTST presos na última sexta-feira (28/4) quase termina após policial se sentir ofendido com cânticos dos manifestantes

Chateado, PM discute com Douglas Belchior sobre palavras usadas no protesto | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

O segundo ato contra a condenação do ex-catador de latas e Rafael Braga ocorria tranquilamente nesta quinta-feira (4), na Praça da Sé, no centro de São Paulo, quando um dos policiais que acompanhavam o evento tentou retirar um homem que supostamente teria gritado “coxinha”.

A situação causou a ira dos manifestantes presentes, que passaram a gritar, em coro: “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”. Ofendido, um dos policiais afirmou que “aquelas palavras machucavam” e ameaçou desligar o som e encerrar o ato. Depois de 15 minutos de discussão, com direito a dedos apontados e acusações de ambos os lados, o episódio foi contornado e o ato continuou sem maiores problemas.

Convocada por diversos movimentos sociais, a vigília aconteceu em frente ao Tribunal de Justiça de São Paulo, localizado na Praça da Sé. Simultaneamente, um ato parecido ocorria na cidade do Rio de Janeiro, também em frente ao Tribunal de Justiça do Estado, no centro na capital fluminense.

Os eventos pediam pela liberdade de Rafael Braga e também dos três membros do MTST Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), presos até a noite desta quinta-feira, quando foram liberados, após o desembargador Otávio de Almeida Toledo aceitar o pedido de habeas corpus movido pelos advogados do MTST. O pedreiro Luciano Antonio Firmino, 41 anos, o frentista Juraci Alves dos Santos, 57, e o motorista Ricardo Rodrigues dos Santos, 35, haviam sido detidos durante a manifestação contra as reformas trabalhistas e previdência social que tomou as ruas no dia 28 de abril.

Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

O caso Rafael Braga

Jovem, negro e pobre, Rafael Braga virou símbolo do movimento negro após ser preso em junho de 2013, portando duas embalagens fechadas de produtos de limpeza. Segundo a polícia, o material seria usado para a confecção de explosivos.

Após o episódio, Rafael encontrava-se em regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica havia pouco mais de um mês, quando foi preso novamente, em 12 de janeiro do ano passado. A prisão ocorreu quando ele caminhava da casa de sua mãe para uma padaria na Vila Cruzeiro, favela no bairro Penha, zona norte do Rio, onde vive sua família.

No dia 20 de abril último, o juiz Ricardo Coronha Pinheiro, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, condenou o ex-catador de papelão a 11 anos e três meses de prisão pelos crimes de tráfico e associação ao tráfico, embora Rafael tenha alegado, desde seu primeiro depoimento, ainda na 22ª Delegacia de Polícia (Penha), que ele não levava nada além dos três reais que sua mãe lhe havia dado para comprar pães quando foi abordado violentamente pelos policiais, cuja palavra bastou para condenar o ex-catador.

Há duas semanas, no dia 24 de abril, o primeiro ato contra a nova sentença de Rafael Braga aconteceu na Avenida Paulista. Segundo os organizadores, a intenção é realizar uma sequência de atos até que Rafael Braga seja libertado.

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O primeiro e único condenado das manifestações de junho de 2013
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