PMs acusados de espancar adolescente negro até a morte são presos

Enterro de Gabriel Paiva, no último domingo | Foto: Daniel Arroyo/Ponte

Família de Gabriel Paiva pede a prisão de outros dois PMs que também estariam envolvidos no crime

Soldado Jefferson é conhecido onde atuava como “Negão da Madeira” | Foto: Reprodução

Os soldados da Polícia Militar Jefferson Alves de Souza e Thiago Quintino Meche, do 22º BPM/M (Batalhão da Polícia Militar Metropolitano), foram presos sob suspeita de ter espancado o adolescente negro Gabriel Alberto Tadeu Paiva, 16 anos, na madrugada do dia 17 de abril, na Vila Missionária, zona sul de São Paulo. O jovem morreu quatro dias depois, no Hospital Regional Sul.

Quintino e Jefferson estão presos administrativamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana, desde sexta-feira (19), após pedido encaminhado pela Polícia Militar e deferido pela Justiça. Segundo testemunhas, Jefferson é conhecido no bairro como “Negão da Madeira”, por conta do suposto hábito de espancar adolescentes com um pedaço de pau semelhante a um cabo de enxada.

“Demorou muito, mas estou um pouco aliviada. A justiça ainda não foi feita, eles precisam ficar presos para sempre, e mesmo assim, nada vai trazer meu filho de volta”, disse Zilda Regina de Paiva, mãe de Gabriel. No próximo domingo (28), data que o jovem faria 17 anos, ela vai passar no Cemitério Campo Grande, onde o menino foi enterrado.

Zilda, mãe de Gabriel, é amparada por professora durante sepultamento do filho, em 22/4 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

A expectativa de Zilda é que os soldados da PM Gabriel de Souza Ferla e Ronaldo Pinfildi Júnior, que também são apontados como suspeitos de participação no crime, sejam presos.

Pouco depois da morte de Gabriel, imagens de câmera de segurança revelaram um possível envolvimento do soldado Jefferson em outra agressão contra pelo menos seis pessoas, sendo três mulheres e um homem com criança no colo. O delegado Pedro Luís de Souza, do 80º DP (Vila Joaniza), que investiga a morte de Gabriel, afirmou que o PM que aparece batendo nas pessoas é “muito parecido” com o soldado.

Gabriel Paiva, morto aos 16 anos de idade | Foto: Arquivo pessoal

Procurada pela Ponte Jornalismo, a assessoria de imprensa da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) disse que “as investigações, tanto pelo 22º BPM/M da Polícia Militar com o acompanhamento da Corregedoria, como também pela Polícia Civil, permanecem em andamento”.

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