PMs vão testar câmeras acopladas à farda durante patrulhamento em SP

Fase de teste será realizada em quatro comandos da corporação e vai durar 120 dias. Policiais poderão, no entanto, desligar o aparelho quando quiserem

Câmeras que serão acopladas às fardas dos policiais militares. Fotos: Divulgação

Um projeto-piloto começa a ser testado para vigiar os passos de policiais militares de São Paulo. Ao custo de R$ 271 mil, o governo estadual comprou 120 câmeras que devem estar acopladas às fardas de PMs durante o patrulhamento. Na fase de teste, que vai durar quatro meses, os equipamentos serão usados por quatro comandos da corporação: Choque, Ambiental, Trânsito e Área de região central.

De acordo com entrevista à GloboNews do major Victor de Freitas Carvalho, chefe da Divisão de Imagens da PM, o objetivo é testar, na prática, um projeto que vem sendo desenvolvido há três anos com a finalidade de “melhorar a segurança do policial, dar legalidade, transparência e legitimidade às ações que os policiais desenvolvem”. “Resguarda a ação policial, como também garante veracidade tanto para o policial quanto para a pessoa que vem fazer uma reclamação”, afirmou.

Na mesma entrevista, o major esclareceu as funcionalidades do equipamento: “A câmera tem um botão de liga e desliga, consegue captar imagens no período noturno com sistema de infravermelho, possibilita que o policial dispare fotos durante a filmagem, capta o áudio do ambiente e tem uma lanterna de led”.

Questionado sobre a possibilidade de o policial ter a opção de desligar o equipamento na hora em que bem entender, o major respondeu ser este um ponto desfavorável, mas que há momentos de privacidade, como na hora da alimentação. Carvalho explicou que o policial tem acesso ao conteúdo que foi gravado apenas para visualização, através de um display, mas não consegue apagar ou editar.

Perguntado sobre o que vai acontecer ao PM que desligar o equipamento em uma situação tensa, o major se esquivou e afirmou que isso não invalida a funcionalidade da câmera. Disse, também, que há um botão que o agente pode apertar em momentos de mais tensão, como uma abordagem, para ser mais fácil de localizar depois.

Reportagem da Ponte ignorada

A reportagem da Ponte Jornalismo havia solicitado informações sobre o projeto à Secretaria da Segurança Pública (SSP) às 16h16 do dia 3 de janeiro deste ano. A mensagem, enviada à CDN Comunicação, empresa privada contratada para prestar serviços de assessoria de imprensa à pasta, questionava o valor do investimento, se as câmeras já estavam em fase de teste, quantas eram e quando estariam nas ruas, com os PMs.

A SSP ignorou a solicitação, mas, sete dias depois, os questionamentos foram esclarecidos, em primeira mão, à Globo News, na entrevista ao vivo e exclusiva do major Victor de Freitas Carvalho.

Às 14h30 da última quarta-feira (11/01), a Ponte Jornalismo reencaminhou à assessoria de imprensa da SSP a mesma solicitação feita no dia 3 de janeiro. Até a publicação desta reportagem, a pasta não havia se manifestado.

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