Poeta Cinthya Santos, a Kimani, vence o Slam SP

    Representante do Grajaú venceu outros sete finalistas do duelo de poesia falada. “Minha voz representa a de muitas mulheres”, diz

    Após a vitória, Kimani se emociona com suas familiares, presentes na final | Foto: Sérgio Silva.

    Dois dias de competição e chegou ao fim no último domingo (4/11) um dos principais eventos de poesia falada na cidade de São Paulo. O Slam SP, realizado na recém inaugurada unidade do Sesc 24 de Maio, na República, região central da capital paulista, contou com a participação de oito finalistas. Como de costume, o público compareceu em peso para ver a consagração da campeã, Cinthya Santos, mais conhecida entre os competidores como Kimani.

    Kimani, palavra de origem africana, significa menina dócil. Assim nos conta, a própria, em uma pequena entrevista realizada por telefone. Formada em gestão de Recursos Humanos e cursando o sétimo semestre de psicologia, atualmente Kimani trabalha como arte-educadora no Centro da Juventude, região de Parelheiros na zona sul da capital. Ela venceu disputa em seu bairro, o Grajaú, para participar da final do Slam SP.

    Filha caçula, perdeu o pai assassinado em uma tentativa de assalto trabalhando como taxista. Desde então, sonhou em atuar na área social colaborando com a formação de jovens na periferia da cidade. Kimani afirma que essa motivação cresceu junto com a ideia em oferecer uma oportunidade aos jovens em situação vulnerável para que o erro cometido com a morte de seu pai não fosse repetido.

    Kimani posa com o troféu de vencedora da disputa | Foto: Sérgio Silva.

    Desde pequena teve contato com a arte dentro da igreja, encenando nos palcos locais pequenos textos e peças teatrais. A primeira vez que sentiu-se tocada pela poesia foi através do filme brasileiro “O Auto da Compadecida”,do cineasta Guel Arraes, com texto escrito originalmente em 1955 pelo dramaturgo paraibano Ariano Suassuna.

    Para ela, se entregar à literatura é “um processo de cura muito grande. Um processo de olhar no espelho e se aceitar. Processo de começar a se ver e, se ver bonita”. A menina que cresceu desacreditada, hora por si própria, encontrou no caminho da arte com a literatura, a oportunidade em dar a volta por cima. Hoje, vendo sua participação entre os finalistas da próxima competição nacional, o Slam BR, tem confiança em seu potencial como artista e poeta. “Chegar até a final do Slam SP significa encontrar em mim uma força que eu nunca poderia ter”, define.

    Fora do âmbito particular, a conquista celebrada por Kimani carrega uma representatividade importante para todas as mulheres. Segundo a poeta, posicionar-se entre os vencedores da competição é representar a origem da sua ancestralidade. “Minha voz representa a de muitas mulheres e, também, a voz da minha bisavó que era mãe de santo em terreiro, da minha mãe aposentada (ex-enfermeira), do meu pai taxista e de todos os outros membros da família que não tiveram oportunidade de entrar em uma faculdade”, crava.

    Comentários

    Comentários

    Já que Tamo junto até aqui…

    Que tal entrar de vez para o time da Ponte? Você sabe que o nosso trabalho incomoda muita gente. Não por acaso, somos vítimas constantes de ataques, que já até colocaram o nosso site fora do ar. Justamente por isso nunca fez tanto sentido pedir ajuda para quem tá junto, pra quem defende a Ponte e a luta por justiça: você.

    Com o Tamo Junto, você ajuda a manter a Ponte de pé com uma contribuição mensal ou anual. Também passa a participar ativamente do dia a dia do jornal, com acesso aos bastidores da nossa redação e matérias como a que você acabou de ler. Acesse: ponte.colabore.com/tamojunto.

    Todo jornalismo tem um lado. Ajude quem está do seu.

    Ajude

    mais lidas