Professora é agredida por PM durante manifestação em SP

Vídeo compartilhado em redes sociais mostra momento em que carro tenta passar no meio do protesto, manifestantes resistem e policiais usam cassetetes para dispersar grupo

Uma professora da rede pública de ensino da cidade de São Paulo foi agredida por um policial militar com golpes de cassetete durante protesto contra o Sampaprev, projeto que altera a previdência dos servidores municipais, nesta quinta-feira (7/2). O ato começou em frente a Prefeitura de Sao Paulo, na região central da capital paulista, e reuniu servidores municipais contrários à reforma, aprovada pelos vereadores no final do ano passado. Na segunda-feira (4/2), os servidores anunciaram uma greve e uma série de protestos contra a lei 17.020/2018, que entre outras medidas, aumenta a contribuição de 11% para 14% da folha de pagamento.

Professora Lidiane, agredida pela PM | Foto: Sinpeem

Identificada como Lidiane, a professora participava do protesto e, segundo relatos de testemunhas, um carro tentou furar o bloqueio da manifestação. Com medo de que algum acidente acontecesse, um grupo de manifestantes se colocou na frente do veículo. Nesse momento, policiais militares usaram cassetetes para dispersar o grupo e permitir a passagem do motorista. No vídeo, que circulou em grupos de Whatsapp e foi também publicado na página do Facebook “Movimento Nossa Classe – Educação”, é possível observar o tumulto gerado e, na sequência, um PM golpeando a professora diversas vezes com o cassetete. Na sequência, a vítima aparece sendo amparada, com um corte na região do olho e bastante ensanguentada.

O deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL) escreveu em suas redes sociais sobre a agressão pouco tempo depois e disse que cobrará resposta das autoridades: “Professora é covardemente agredidas pela Polícia Militar na manifestação contra o confisco salarial que o prefeito Bruno Covas (PSDB) impõe a todos os servidores. Levarei o caso amanhã ao MP (Ministério Publico) e à Corregedoria da PM exigindo a identificação e punição dos responsáveis”, diz a postagem.

Momento em que manifestante flagra professora sendo agredida por policial | Foto: reprodução

Nas redes sociais, ex-alunos e também colegas de Lidiane manifestaram solidariedade à professora e repúdio à violência policial. “Conheci Lidiane quando trabalhei no CEI (Centro de Educação Infantil) Parque Anhanguera. Lidy, como carinhosamente a chamo, é pessoa amável, solidária, do tipo que a gente já gosta de primeira. Profissional dedicada, competente e humana. Seu olhar brilha para os pequenos. Seus projetos são pensados e refletidos para acolher e construir os conhecimentos de forma compartilhada e numa perspectiva de colaborar com a formação crítica de nossos bebês, jovens e crianças. Assim, teremos uma sociedade mais igual e justa! Lidiane, hoje a polícia te agrediu! E clamaremos por justiça… Não posso mensurar a sua dor, pois acredito que não seja apenas na carne, mas na alma!”, escreve uma colega.

“É uma cena triste e revoltante por natureza. Porém, me revolta muito mais, porque essa professora foi minha professora. Uma das melhores que tive. Nos encontramos faz pouco tempo e, dentre vários assuntos, falamos do nosso temor ao novo governo, das mudanças que estavam por vir. Essa cena sempre se repete e fica o questionamento: qual é o futuro sombrio de um país que trata dessa forma grotesca e brutal, os alicerces da sociedade, que são os professores?”, diz trecho de outra postagem de um rapaz que se identifica como ex-aluno dela.

Não foi o primeiro caso de repressão em ato de servidores contra o Sampaprev. Na semana em que foi o PL foi aprovado, em dezembro de 2018, a GCM (Guarda Civil Metropolitana) reprimiu com violência o protesto em frente à Câmara, usando bombas de gás e balas de borracha. Antes disso, em março do mesmo ano, um GCM quebrou o nariz de uma professora durante a discussão do projeto, enviado pelo então prefeito João Doria (PSDB – atualmente governador de São Paulo – na Câmara. Mais de 15 pessoas ficaram feridas, uma delas com acertada por quatro disparos de bala de borracha.

A Ponte tentou contato com Lidiane, mas não obteve retorno até a publicação. A reportagem também questionou a Polícia Militar do Estado de São Paulo, comandada atualmente pelo general João Camilo Pires de Campos sobre a conduta de seus integrantes durante o ato, mas até o momento não teve retorno.

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