Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu protestam contra a violência no RJ

Foto: Leonardo Coelho/ponte.org

No mesmo dia em que um adolescente morreu durante operação policial na capital fluminense, três comunidades fizeram passeata para denunciar como a violência afeta o dia a dia de quem vive na favela

Foto: Leonardo Coelho/ponte.org

Moradores de três favelas fizeram uma passeata nesta terça-feira (06/02) da Rocinha até o Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Em mais um dia marcado pela violência na cidade, na qual um jovem de 13 anos da Maré foi morto em uma operação policial no Complexo da Maré, os manifestantes queriam expor as consequências nefastas da atual onda de violência para a cidade e as favelas.

Para Rafael Favelas, 40 anos, que nasceu, foi criado e ainda vive na comunidade, os conflitos na área, estariam aumentando a partir de uma briga sucessória entre Rogério 157 e seu antigo chefe, o Nem da Rocinha, em agosto do ano passado. Desde então, ainda de acordo com o morador, a favela sentiu um aumento dos índices de violência e confrontos armados. Segundo dados do aplicativo Fogo Cruzado, a Rocinha viveu 23 tiroteios e disparos por arma de fogo do início de janeiro até agora.

Mas, segundo os moradores, isso é apenas uma pequena parte do problema.

“Tem faltado luz constantemente por causa da destruição dos transformadores. Nossos cabos de internet ficam repartidos e nossos canos de água furados. Estamos cada vez mais isolados”. Segundo informações da Light, no ano passado, o Rio viu 202 transformadores danificados devido a confrontos armados.

Outra marca da violência tem afetado a rede de saúde e, em especial, a luta contra a tuberculose na Rocinha. A doença infecto-contagiosa tem maior incidência em locais como presídios, entre a população em situação de rua e também se desenvolve em locais muito populosos, com áreas sem luz ou ventilação adequada, como são muitas das favelas. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, que atendeu um pedido da Frente Parlamentar em Apoio ao Combate da Tuberculose da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, divulgado em reportagem do jornal O Globo no ano passado, foram 99 casos por 100 mil moradores da cidade em 2016 e na comunidade da Rocinha foram 300 por 100 mil. A título de comparação, a média nacional de casos é de pouco mais de 30 por 100 mil. “Não estamos podendo trabalhar. Os agentes precisam ir diretamente na casa dos doentes, porque o medicamento precisa ser dado todo dia”, disse uma agente de saúde e moradora que não quis se identificar. “Com a violência como isso é possível?”, questiona.

 

As escolas da região têm estado em permanente estado de tensão e muitas cancelam aulas por precaução. Para um professor da rede municipal, tanto a polícia quanto os traficantes não tem preocupação nenhuma com a consequência dos conflitos. “Tem creches na área mais alta da Rocinha cheia de furos. Não tem como estudar nem dar aula assim”, queixa-se.

Para outro morador, Ademir, de 18 anos, a perspectiva a longo prazo é bastante ruim .“Se a gente for depender do Estado estamos ferrados. A juventude está largada e esquecida”, disse o estudante recém chegado na Rocinha há alguns meses e que já perdeu parentes para a violência recente.

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