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Benny Briolly aponta ter sido alvo de racismo e transfobia dentro da Câmara de Niterói (RJ)

26/03/21 por Caê Vasconcelos

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Vereadora, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos, aponta que vereador bolsonarista Douglas Gomes não respeitou seu gênero, quase a agrediu fisicamente e a xingou: “vagabundo, moleque, seu merda e mentiroso”

Benny Briolly é vítima de racismo e transfobia dentro da Câmara de Niterói | Foto: Reprodução/Instagram

O vereador Douglas Gomes, do PTC (Partido Trabalhista Cristão), agrediu verbalmente Benny Briolly, vereadora trans do PSOL, com falas racistas e transfóbicas, durante uma plenária na tarde da última quinta-feira (25/3) na Câmara Municipal de Niterói, no Rio de Janeiro.

Segundo Benny contou à Ponte, tudo começou quando a mesa diretoria colocou o Douglas para ser vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente, em que Benny é presidenta. Na plenária, o vereador teria chamado ativistas do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) de “vagabundos” e Benny solicitou a retirada dele da comissão.

A parlamentar citou, na plenária, que Douglas, que é apoiador de Jair Bolsonaro (sem partido), já havia sido transfóbico, machista e havia defendido o coronel Brilhante Ustra, torturador e ex-comandante do DOI-Codi. “São posicionamentos que não condizem com a comissão de direitos humanos”, defende Benny.

Leia também: Negra e travesti, candidata é ameaçada no RJ: ‘Ronnie Lessa está de olho’

Foi aí, de acordo com a vereadora, que Douglas começou a ofendê-la. Antes do desfecho, Douglas foi ao microfone chamar a vereadora  de “vagabundo, moleque, seu merda e mentiroso”. “Ele veio para cima de mim e os vereadores precisaram segurar ele”.

Desde que assumiu o cargo de parlamentar, sendo a vereadora mais votada da cidade, Benny conta que vem recebendo constantes ameaças e perseguições.

“Tem sido um inferno. É uma casa conservadora e essas coisas acontecem frequentemente. A institucionalidade é burguesa e capitalista, não foram pensadas para corpos de pessoas trans e mulheres negras. Ali não é um lugar projetado para que a gente permaneça”.

Leia também: Projeto de lei busca combater violência política contra parlamentares negras

Benny foi assessora da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) antes de ser eleita vereadora de Niterói e, ainda na campanha, já havia denunciado ataques transfóbicos feitos por Douglas, que ainda era candidato.

Em outubro de 2020, a Ponte noticiou uma ameaça de morte que Benny sofreu, em que Ronnie Lessa, PM da reserva réu no assassinato da vereadora Marielle Franco, executada na noite de 14 de março de 2018, foi citado: “Ronnie Lessa já está de olho em vocês. Cuidado com a metralhadora para excluir os maconheiros”.

Entre as ofensas recebidas nas redes sociais, conta Benny, uma foi incentivada por Douglas Gomes, que tinha publicado fotos dela em seu Instagram, expondo o nome de registro de Benny e a tratando no masculino.

Print do Instagram do vereador Douglas Gomes

Sem escolta parlamentar, apesar das ameaças de morte que recebe desde antes de ser eleita, e chorando com a situação, Benny avisa: “O medo é presente, com três ameaças de mortes, sendo uma parlamentar negra, trans e oriunda da favela, mas desistir jamais”.

Outro lado

A reportagem procurou o vereador Douglas Gomes no e-mail disponibilizado nas redes sociais e não obteve retorno. Pelo Twitter, o vereador postou a seguinte mensagem: “Os canalhas do PSOL esquecem q imputar falsamente crime a alguém é crime (calúnia, art. 138 CP). Acusam-me de agredir parlamentar do partido deles. As imagens deixam claro: a única agressão foi verbal e da parte deles. Eu respondi. Imundos inescrupulosos, responderão na justiça!”.

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