Coronavírus matou 30 policiais em quatro dos estados mais afetados

03/05/20 por Arthur Stabile

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Quase 5 mil policiais estão afastados em São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e Pernambuco; 6 estados se recusaram a apresentar números

Três dos policiais mortos trabalharam na PM de São Paulo | Fotos: Arquivo/Ponte

A pandemia de coronavírus matou ao menos 30 policiais em todo o país. Os números têm como base estatísticas oficiais dos estados, que informam quase 5 mil pessoas afastadas das polícias Militar, Civil e Científica por contaminação ou suspeita da doença.

A Ponte questionou os dez estados com mais casos da Covid-19 na população. Os dados enviados pelas secretarias da segurança ou pelas próprias corporações locais são parciais, pois mais da metade dos estados não respondeu aos pedidos.

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Apenas quatro estados enviaram respostas com números: São Paulo, Amazonas, Pará e Rio de Janeiro – estes últimos em parte, pois só a PM respondeu, enquanto a Polícia Civil omitiu os números.

Pernambuco, Ceará, Maranhão, Bahia, Paraná e Minas Gerais omitiram as estatísticas, solicitadas por e-mail nos dias 28 e 28 de abril.

Os registros apontam que 11 agentes de segurança morreram no Pará, 7 no Rio de Janeiro, 7 em Manaus e 5 em São Paulo. Somados, os quatro estados têm 4.881 policiais fora do trabalho em isolamento preventivo ou em tratamento da doença.

Divisão por estado

O Rio de Janeiro é o estado com mais policiais afetados, com 2.573, seja por contaminação ou suspeita de ter contraído a doença. Da população geral, o Rio é o segundo com mais mortos: 971 vítimas.

Em nota, a PMERJ, comandada pelo coronel Rogério Figueredo de Lacerda neste governo de Wilson Witzel (PSC), explicou que outros 1.334 PMs já haviam se recuperado do tratamento e retomado os trabalhos, com 106 confirmações da Covid-19. Desse total, sete policiais morreram.

Ao destacar que os “policiais militares estão na linha de frente no combate à pandemia”, assim como os profissionais da saúde, a corporação explica que comprou EPIs (Equipamento de Proteção Individual) para tropa.

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Assim como a PM do Rio, o Amazonas também registra sete óbitos na segurança pública, sendo quatro PMs, dois policiais civis e um funcionário da secretaria da segurança. São 461 profissionais afastados por causa da doença.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do estado, administrada pelo coronel Louismar Bonates no governo de Wilson Miranda Lima (PSC), os “órgãos do sistema de segurança pública do Amazonas estão executando as estratégias elaboradas de forma colegiada para prevenir a contaminação e acompanhar servidores que sejam infectados pelo novo coronavírus”. Também houve distribuição de EPIs.

Em São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos na gestão João Doria (PSDB), limitou-se a responder que “0,7%” da tropa foi afastada preventivamente por causa da Covid-19.

Segundo dados do Portal da Transparência do Estado, são 116.466 policiais, entre militares civis e científicos, atuando no estado. A porcentagem informada pela secretaria corresponde a cerca de 810 agentes.

A pasta ainda confirma a morte de cinco pessoas, sendo três PMs (Magali Garcia, 46 anos, e Cleber Alves da Silva, 44, e, ambos do Centro de Operações da Polícia Militar, o Copom, e o bombeiro militar Benedito Amâncio Nascimento, 51) e dois policiais civis, que não tiveram identidade revelada.

Já no Pará, assim como no Rio de Janeiro, somente a Polícia Militar respondeu ao pedido, através de nota da Segup (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social), chefiada por Ualame Machado na gestão do governador Helder Barbalho (MDB). Não há informações sobre a Civil ou Científica.

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O estado tem o maior número absoluto de policiais mortos (11), enquanto os afastados preventivamente são 1.031. A pasta informou que ofereceu “mais de 3 mil testes rápidos, 1,2 mil medicamentos para a corporação, além de 15 mil vacinas para Influenza em postos exclusivos para servidores da segurança”.

“O agente pode, ainda, procurar o quadro médico da sua instituição para agendamento de exames e encaminhamentos para a urgência e internação, se necessário, dependendo da disponibilidade”, afirma.

‘Tudo indica ser um número maior’

A reportagem apresentou as estatísticas ao tenente-coronel reformado da PM paulista Adilson Paes de Souza. Segundo ele, as informações estão abaixo da realidade.

“Tudo indica ser um número maior, existe subnotificação e pessoas que estão assintomáticas e estão trabalhando”, afirma. Ele toma como base conversa com dois policiais.

Segundo Adilson, ambos disseram que tanto a corporação como os próprios policiais estão fazendo pouco caso. “Um falou assim: ‘Não temos informação de nada. Trabalhamos sem informação. Sabemos que foi contaminado porque comentam’. Já o outro disse que ‘ninguém está nem aí, não estão usando máscaras, cumprimentando e se abraçando normalmente’. Como fica?”, questiona.

O tenente-coronel cita que há pesquisas brasileiras que apontam um quadro grave de subnotificação. Segundo a Covid 19 Brasil, a estimativa é de que há 15 outras contaminações para cada caso confirmado. Nessa estimativa, o total de policiais contaminados seria de 73.215.

O número é similar ao apresentado pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, o Nois, que sustenta haver 12 pessoas a mais com coronavírus para cada registro. Pelo estudo, os agentes de segurança com a doença subiria para 58.572.

“Não tem como ser diferente. Os policiais estão 24 horas no trabalho, parte deles fazem abordagem. É contato físico, não tem como fugir”, diz. “Agora, se não usa máscara, não usa álcool em gel, não adotam medidas de cautela entre eles,conforme relato dos PMs que ouvi, aí fica difícil”, completam.

Errata: A reportagem afirmava em seu início o número de 23 policiais mortos. Na realidade, são 30. A informação foi corrigida às 9h24 de segunda-feira (4/5). Pedimos desculpas.

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