Ex-membro da cúpula do PCC é enterrado com multidão e queima de fogos

07/12/17 por Josmar Jozino

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Edilson Borges Nogueira, o Birosca, foi assassinado a golpes de estilete na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, em São Paulo, na última terça-feira (4/12)

Uma queima de fogos marcou ontem o enterro de Edilson Borges Nogueira, o Birosca, no cemitério Jardim Vale da Paz, em Diadema, no Grande ABC, em São Paulo.

Birosca foi assassinado a golpes de estilete na última terça-feira (5/12), durante banho de sol no raio 2 da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, região Oeste do Estado.

Segundo a Polícia Civil, os presos Danilo Antônio Cirino Félix, o Montanha, 29 anos, e Gilberto Sousa Barbosa Silva, o Caveira, 46, assumiram a autoria do crime.

Ambos, no entanto, não explicaram os motivos do assassinato nem revelaram se cumpriram ordens de alguém para matar a vítima.

Birosca foi ao menos por 20 anos um dos integrantes da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do País.

Meses atrás, ele foi excluído da organização pelo presidiário Patrik Wellinton Salomão, o Forjado.

De acordo com o Ministério público Estadual, Forjado é ligado a Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, apontado como o número 2 na hierarquia do PCC e foragido desde fevereiro deste ano.

Birosca era reverenciado no mundo do crime. Centenas de pessoas foram ao enterro dele ontem no Cemitério Jardim Vale da Paz.

Muita gente usava camiseta com a foto dele. A multidão chegou em vários ônibus alugados, a maioria procedente de bairros de Diadema e de outras cidades do ABC e da zona sul da capital.

O enterro de Birosca foi filmado por populares. O vídeo, de autoria ainda desconhecida, vazou nas redes sociais.

As imagens mostram a multidão ao lado da sepultura de Birosca. Quando o caixão com o corpo dele é colocado na cova, todos fazem silêncio.

Em seguida começa a queima de fogos. Fontes ligadas à Birosca disseram à Ponte que os artifícios foram comprados pela família de Birosca, como forma de prestar a última homenagem a ele.

O ministério Público Estadual apurou que o PCC divulgou um “salve” (recado), informando que Birosca foi morto por traição e difamação ao Primeiro Comando da Capital.

Promotores de Justiça, entretanto, não acreditam nessa versão e suspeitam que quem mandou matar Birosca estava interessado em assumir os pontos de vendas de drogas dele.

Mesmo preso na P2 de Presidente Venceslau, Birosca controlava o tráfico de drogas na favela Morro do Samba, em Diadema, e em outros locais na zona sul da capital.

A morte de Birosca aconteceu às vésperas do fim do castigo de Marco Willians Camacho, o Marcola, e Daniel Vinícius Canônico, o Cego, em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado).

Ambos também são apontados como líderes do PCC e foram internados no RDD em dezembro do ano passado, pelo prazo de um ano, no CRP (Centro de Readaptação Penitenciária) de Presidente Bernardes.

Eles foram acusados na Operação Ethos de ajudar na criação da célula jurídica do PCC, conhecida como “sintonia dos gravatas”.

Ao menos 40 advogados também foram presos pela mesma acusação. Boa parte deles já foi condenada e permanece presa.

Em presídios dominados pelo PCC, integrantes da facção criminosa estão sem entender os motivos do assassinato de Birosca.

Em Diadema, onde Birosca comandava a venda de drogas, traficantes ligados a ele também desconhecem o motivo da execução e estão revoltados.

O Ministério Público Estadual teme um derramamento de sangue nas prisões e nas ruas por causa da morte de Birosca e não descartam uma possível guerra interna no PCC por conta disso.

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