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MP identifica 21 líderes do PCC nas ruas e prende dois em operação com a PM

14/09/20 por Arthur Stabile

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Marcos Roberto de Almeida, apontado como sucessor de Marcola no comando da facção paulista, segundo o órgão, está entre nove foragidos

Membros do Ministério Público e das polícias em entrevista coletiva sobre a Operação Sharks | Foto: Aethur Stabile / Ponte

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou a prisão de dois integrantes da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) nesta segunda-feira (14/9). A operação de Sharks contou com apoio da PM e identificou 21 novos líderes da facção. Destes, um homem morreu em suposto confronto no litoral paulista e outros nove são considerados foragidos.

Parte dos alvos da investigação já estavam presos. Durante a coletiva do MP, feita nesta tarde na capital paulista, ainda acontecia movimentação dos policiais para encontrar os nove líderes foragidos. Não foi divulgado se algum deles foi preso após a conversa com os jornalistas.

Segundo o MP, estão presos Decio Gouveia Luís, o Décio Portugal, Wellington Roberto da Cruz, Patric Uelinton Salomão, Eduardo Aparecido de Almeida, Marcelo Moreira Prado, Robson Sampaio de Lima, Carla Luy Riciotti Lima, Wagner Rodrigo dos Santos, Diego Macedo do Carmo e Levi Adriani Felício.

Nenhuma das investidas policiais feitas pela Sharks encontrou o principal alvo da operação: Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta ou Africano. Ele é considerado o número um do PCC fora das cadeias e sucessor de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, na liderança da facção desde a transferência da sintonia final para presídios federais, no começo de 2019.

Alem de Tuta, são considerados foragidos Gilberto Flares Lopes Pontes, Gratualino de Sousa Lira, Odair Lopes Mazzi Júnior, Sergio Luiz Ferreira, João Paulo Tomaz de Souza, Edmilson de Menezes, Sergio Luiz de Freitas Filho e Valdeci Alves dos Santos.

“É a operação mais importante depois da transferência da liderança do PCC para o sistema penitenciário federal”, definiu o promotor Lincoln Gakiya, que integra o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), detalhando que não “é a mais importante em quantidade, mas pela qualidade” dos investigados.

Um organograma feito pelos investigadores traça a divisão das ações. A Sintonia Final da Rua, comandada por Marcos Roberto, coordenada todos os trabalhos da Sintonia Raio-X, espécie de ala de informações da cúpula, da Sintonia Progresso, que cuida de determinar missões aos membros e um setor de logística de fornecimento de drogas.

Organograma representando os procurados e presos pela Operação Sharks | Foto: MP-SP / Divulgação

“Conseguimos, através de um trabalho bem feito da força-tarefa, identificar e mapear toda a liderança dessa facção que assumiu as funções com transferência de Marcola [apontado pelo órgão como chefe do PCC] e demais para o sistema federal. “, diz .

Segundo o MP, duas pessoas foram capturadas nesta segunda e uma, Claudio José Pinheiro Freitas, morreu ao responder com tiros a chegada da polícia, segundo o comandante do Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar de São Paulo, coronel Rogério Silva Pedro.

“Infelizmente em Praia Grande (litoral de SP) conseguimos romper a porta de entrada apartamento e o infrator saía de um dos quartos disparando contra policiais, houve necessidade [de responder a tiros]. Não temos policiais feridos”, informa o coronel Rogério.

A investigação aponta para uma nova estrutura dentro do PCC, chamado de setor “Raio X”. É um setor que fica abaixo da cúpula, nomeada internamente de “Sintonia Final” e funcionaria como uma espécie de “escudo” e buscava informações para proteger os demais líderes – ficaria inclusive acima do setor do “Progresso”, focado na arrecadação monetária da facção.

Marcos Roberto de Almeira, conforme investigação do MP, está nas ruas há cerca de três anos, tendo respondido por roubo a banco e tráfico de drogas. Segundo o promotor Lincoln Gakyia, o MP tinha conhecimento de que Tuta assumira a função de Marcola desde a transferências da Sintonia Final Geral para presídios federais, mas não pode agir antes.

“Uma coisa é identificar, outra coisa é ter provas para pedir a prisão. Tem que ser consistentes”, definiu, segundo complementado pelo procurador-geral do estado de São Paulo, Mário Sarrubbo. “Num estado democrático de direito é necessário ter provas e por isso demora”.

A ação ocorre uma semana após a prisão do advogado Wellington Luiz Pereira de Alcântara por suposta ligação com a cúpula da facção. O defensor teria se comunicado com Marcola e repassado ordens dos líderes para integrantes nas ruas. A promotoria não aponta ligação entre as duas operações da polícia.

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