Policial civil mata PM que comemorava armado o aniversário do pai

Investigador teria tentado abordar cabo que estava portando arma de fogo e discutindo dentro de um restaurante em Guarulhos (SP); morte é mais um episódio dos conflitos entre PM e Polícia Civil

Restaurante onde PM comemorava aniversário do pai, em Guarulhos | Foto: Reprodução/Google Street View/03.10.2020

O cabo aposentado da Polícia Militar Paulo César Timóteo Marinho, 52 anos, foi morto com um tiro logo após deixar um restaurante em Guarulhos (Grande SP), onde comemorava o aniversário do pai, na noite desta sexta-feira (2/10). O autor do disparo, segundo a Polícia Civil, é o policial civil Jackson Pedro Lino, 54 anos, chefe dos investigadores do 6º DP da cidade.

Inicialmente o caso foi registrado no 1º DP de Guarulhos e encaminhado para a equipe corregedora da Delegacia Seccional do município. Para o início das apurações, a Polícia Civil ouviu o policial autor do disparo, uma investigadora que estava com ele no momento dos fatos e um outro policial civil que foi acionado por Jackson no início da ocorrência, além do tio do PM morto, também presente no momento da confusão.

Segundo o tio do cabo Marinho, no depoimento à polícia, eles estavam em família, comemorando o aniversário do pai do PM, no restaurante Traíra e Cia. Em certo momento, o policial militar começou a fumar dentro do estabelecimento e foi rapidamente repreendido pelos próprios familiares e também por um funcionário do local. Houve uma pequena discussão e, depois disso, eles teriam deixado o local. 

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Assim que chegaram na rua, ainda de acordo com o tio da vítima, o policial civil chegou atrás e tentou tirar a arma do PM aposentado. Marinho teria impedido a retirada de sua arma e tentado falar para Jackson que também era policial e que queria conversar. Os dois passaram a brigar, caíram no chão e aconteceu o disparo, acertando o policial militar. 

Na versão de Jackson, também prestado à Polícia Civil, ele estava com uma colega em trabalho e, após realizar suas tarefas, por volta das 18h30, parou em um restaurante para comer. No local, viu um homem armado e aparentemente discutindo com outra pessoa. O investigador teria perguntado a um funcionário do estabelecimento se conhecia o homem armado, e recebeu resposta negativa. 

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O policial civil afirma que aguardou o homem armado deixar o local para realizar a abordagem sem colocar em risco a vida de terceiros. Quando chegou à rua para fazer o enquadro, Jackson diz que se identificou como policial civil e perguntou se Marinho também era policial. Antes de receber qualquer resposta, teriam iniciado a briga. No meio da confusão, o investigador afirma que sua arma disparou acidentalmente.  

Após ter sido baleado, Marinho foi socorrido no Hospital Municipal de Urgência de Guarulhos e, em seguida, transferido para o Hospital das Clínicas, no centro de São Paulo. Morreu na madrugada deste sábado (3/10). 

A Polícia Civil realiza diligências na região em busca de câmeras de segurança que tenham registrado a briga e o disparo contra o policial militar. 

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O caso, que foi registrado como morte decorrente de intervenção policial, marca mais um episódio na relação conflituosa entre Polícia Militar e Polícia Civil em São Paulo. O desgaste na relação entre as polícias tem se intensificado desde quando os PMs José Valdir de Oliveira Júnior, 37 anos, Celso Ferreira Menezes Júnior, 33, e Victor Rodrigues Pinto da Silva, 29, foram mortos pelo falso policial civil Cauê Doretto de Assis, 24, que também morreu na ação, no dia 8 de agosto. 

Desde então, tem sido constante o registro de episódios envolvendo racismo e truculência em abordagens praticadas entre policiais. Em uma das mais recentes, PMs da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) abordaram um policial civil negro, que estava em uma viatura descaracterizada, e houve desentendimento após os policiais militares supostamente se recusarem a fornecer a identidade funcional. 

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A Ponte questionou a Secretaria de Segurança Pública sobre a ocorrência que terminou na morte do PM Marinho e perguntou o que é feito para interferir na relação desgastada entre Polícia Militar e Polícia Civil no Estado de São Paulo. No entanto, não houve retorno até a publicação desta reportagem. 

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