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População negra e de baixa renda continua sendo a mais atingida pela pandemia, aponta monitoramento

11/08/20 por Caê Vasconcelos

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Coronavírus já infectou mais de 1,5 milhão de pessoas com mais de 18 anos em SP; para biólogo Fernando Reinach, “a cidade já passou o seu pior momento”

Favela de Paraisópolis e Morumbi, um dos bairros mais ricos de São Paulo: pesquisadores citaram as duas regiões para exemplificar por que tiveram que mudar alguns parâmetros da pesquisa | Foto: Gui Christ

Mais de 1,5 milhão de pessoas com mais de 18 anos foram infectadas pelo novo coronavírus na cidade de São Paulo. A população negra e de baixa renda continua sendo a mais atingida. É o que aponta o Monitoramento Covid-19, do Projeto SoroEpi MSP, feito pela parceria do Instituto Semeia, Grupo Fleury, IBOPE Inteligência e Todos pela Saúde.

A terceira fase da pesquisa, feita entre os dias 20 e 29 de julho, avaliou 1.470 pessoas de 115 setores entre áreas ricas e pobres da cidade. Nessa nova análise foram usados dois tipos de testes sorológicos (de sangue), diferentes formas de analisar os anticorpos, que reagem em áreas diferentes do vírus. Para chegar nos resultados, os pesquisadores cruzaram os dados dos dois testes.

Com isso, a estimativa da soroprevalência (detecção de anticorpos que prova que a pessoa teve contato com Covid-19) que era de 11,5%, com o uso apenas do resultado do teste anterior, subiu para 17,9% com o uso combinado dos dois testes. “A gente já sabia que o teste rápido eram ruim e os testes mais sofisticados são melhores. A descoberta é que combinando os dois testes você consegue detectar mais pessoas”, explica o biólogo Fernando Reinach.

“Esse aumento é porque usamos uma metodologia melhor, não é porque o número de pessoas infectadas subiu”, alerta Reinach, um dos pesquisadores do projeto. “A cidade já passou o seu pior momento”.

Além disso, o estudo mudou a sua metologia. Antes, a cidade era dividida em duas áreas: mais rica e mais pobre. Mas essa divisão trazia um problema: distritos como o Morumbi, por exemplo, apesar de ser uma das áreas mais ricas, também tem áreas pobres, como a Favela de Paraisópolis.

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Assim como na pesquisa anterior, a população negra e pobre continua sendo a mais afetada. A soroprevalência entre pessoas negras é de 20,8% comparada a 15,4% dos brancos.

Na nova fase, a pesquisa considerou três tipos socioeconômicos: baixa até R$ 3.349, intermediária de R$ 3.350 a R$ 5.540, e alta a partir de R$ 5.541. Os resultados apontam que 22% das pessoas com baixa renda possuem soroprevalência, 18,4% das pessoas com média renda e 9,4% das pessoas com renda alta.

Leia também: Avanço de coronavírus na periferia de SP expõe desigualdade e racismo

A escolaridade também continua sendo um fator determinante para detectar a soroprevalência. Pessoas que não chegaram a cursar ou completar o ensino fundamental apresentam 22,5% de pessoas com ensino até o fundamental tem anticorpos da doença, seguida de 23,7% para pessoas que concluíram o ensino fundamental, 17,5% para pessoas que cursaram o ensino médio e 12% para pessoas que concluíram o ensino superior.

Marcia Cavallari, CEO do IBOPE Inteligência, explica que, apesar de não ter havido uma mudança nos dados, já que eles ficaram dentro da margem de erro, é possível ver uma movimentação dos casos em pessoas com renda média e baixa. “O movimento sugere que nos setores de renda mais baixa são de pessoas que estão mais expostas ao vírus e ao transporte público, e que não puderam exercer home office”, aponta.

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O infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury e pesquisador líder do projeto, explica que surgiram muitas dúvidas na área da saúde porque “nunca se usaram testes sorológicos para identificar pessoas com doenças respiratórias agudas”.

“Ninguém nunca usou sorologia para gripe ou resfriado, então, ao longo desses meses, percebeu-se que, se você somasse técnicas, poderia aumentar o número de infectados. É possível que surja outro teste que possa identificar de forma melhor”, pondera o médico.

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