Prefeitura não sabe quando vai retirar bichos abandonados por dependentes na Cracolândia

3 minutos atrás

Maria das Graças Bernardino recolhe animais abandonados na região da Cracolândia, no centro de São Paulo - Imagem: Reprodução

Gestão de João Doria (PSDB) tenta fechar parceria com instituição para cuidar dos animais, mas não há previsão sobre quando ela acontecerá

Caramante
Maria das Graças Bernardino recolhe animais abandonados na região da Cracolândia, no centro de São Paulo – Imagem: Reprodução

 

A Prefeitura de São Paulo, gerida por João Doria (PSDB),espera de firmar parceria com alguma instituição para começar a cuidar dos animais abandonados por dependentes químicos na região da Cracolândia, no centro da capital paulista.

Enquanto a prefeitura não fecha a parceria para cuidar dos bichos abandonados pelos dependentes químicos, dona Maria das Graças Bernardino tomou a iniciativa de fazer as vezes do poder público municipal e transformou sua casa em uma pensão para os animais.

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A pensão de dona Maria é simples e barulhenta. Mesmo assim, nos últimos dias, está lotada. Já chega a 130 o número de cães e gatos que moram nos quartos, na sala, no quintal. Todos resgatados do “fluxo”. Ela vivia até o mês passado no coração da chamada Cracolândia, no centro de São Paulo. “Era um caos”, lembra ela.

No dia 21 de maio, as gestões do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria, ambos do PSDB, com as polícias Civil, Militar e GCM (Guarda Civil Metropolitana), fizeram uma das maiores e mais polêmicas operações na região da Luz. Com a retirada de barracas e a saída dos usuários de drogas, muitos bichos ficaram para trás.

“Eu tenho dó e agora piorou”.  Piorou tanto que há uma semana eram cerca de 60 animais recolhidos, agora a quantidade mais que dobrou. “Eu pego os bichos mais vulneráveis: os velhos, atropelados, cegos, doentes”, explica.

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O tal “fluxo” de usuários de drogas mudou de endereço. Está concentrado a cerca de 400 metros da pensão de dona Maria, na Praça Princesa Isabel. “Naquela praça lá tem um monte de animal, sem castrar, eu entro lá, levo água, levo comida”, relata a moradora do bairro há 15 anos.

Dona Maria diz que tem recebido ajuda de ONGs (organizações não governamentais) para arcar com gastos com ração, remédios, produtos de limpeza e cobertores. Segundo ela, já está acertado o encaminhamento de 50 animais para uma das instituições que se ofereceram a ajudar. “Vou ficar triste, mas é melhor assim”, afirma.

O receio da dona da pensão é que o prefeito João Doria cumpra a promessa de derrubar os prédios da área e ela não tenha um novo espaço para abrigar os animais. Quando questionada sobre algum respaldo do poder público, Dona Maria explicou: “até agora ninguém apareceu, nada da prefeitura”.

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Questionada pela reportagem sobre a ausência do Centro de Controle de Zoonoses e o que o governo tem feito na região para resolver o problema dos bichos abandonados pelos dependentes químicos, a assessoria de imprensa Prefeitura de São Paulo informou:

“A Prefeitura de São Paulo sabe do problema e tenta fechar uma parceria com uma instituição que possa cuidar dos animais da região da Luz. Sobre a ausência do Centro de Controle de Zoonoses no caso, o município confirma que nada foi feito até agora à espera dessa parceria. No entanto, não há previsão sobre quando ela será fechada. O nome da instituição também não foi divulgado.”

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