Suspeito de matar 3 agentes, PCC aterroriza funcionários de presídios federais

26/06/17 por por Josmar Jozino e André Caramante

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Uma das vítimas foi assassinada em Mossoró (RN). As outras duas, em Cascavel (PR). Integrantes da facção criminosa são investigados pelas três mortes, ocorridas no intervalo de oito meses

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Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, é apontado pelas autoridades como um dos chefes da facção criminosa PCC – Imagem: Reprodução

O PCC (Primeiro Comando da Capital), o maior grupo criminoso do Brasil, acusado de dominar 95% dos presídios do Estado de São Paulo, passou também a impor o terror no Sistema Penitenciário Federal. Três agentes penitenciários foram mortos em oito meses.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, agentes federais de outros Estados estão em pânico com a escalada da violência protagonizada pela facção criminosa paulista.

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A Polícia Federal apurou que o PCC mandou matar o agente penitenciário Alex Belarmino Almeida Silva, 35 anos.

O crime ocorreu em 2 de setembro de 2016, em Cascavel, no Paraná. Alex trabalhava na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). Ele foi executado com 18 tiros.

Em entrevista coletiva concedida à imprensa, o delegado Celso Mochi, da Polícia Federal em Cascavel, disse que a ordem para executar o agente partiu de Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, de dentro da Penitenciária de Catanduvas.

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Ainda de acordo com o delegado, o PCC mandou matar Alex em represália às supostas opressões sofridas por integrantes da organização criminosa paulista em presídios federais.

O agente foi morto com 18 tiros de pistola 9 mm. Ao menos 15 suspeitos pelo crime foram identificados, sendo que 12 acabaram presos. Os assassinos teriam confessado à PF que o mandante do homicídio foi Betinho Tiriça.

Ele é apontado como um dos líderes do PCC em São Paulo. Tiriça cumpria pena na Penitenciária de Presidente Venceslau 2, no interior paulista.

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Em 16 de novembro de 2012, Tiriça foi transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), sob a acusação de ter ordenado a morte de policiais militares de São Paulo.

No sistema penitenciário federal, Tiriça foi acusado de ter cometido várias faltas disciplinares graves.

Por conta disso cumpriu castigos, sempre isolado em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), e foi removido para a Penitenciária de Mossoró (RN) e depois para o Presídio de Catanduvas.

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Em 25 de maio deste ano, a psicóloga Melissa Almeida, 37 anos, foi morta a tiros em Cascavel – Imagem: Reprodução

O PCC é suspeito de mandar assassinar outros dois agentes federais. Em 25 de maio deste ano, a psicóloga Melissa Almeida, 37 anos, foi morta a tiros em Cascavel.

Ela sofreu emboscada quando chegava de carro em casa. O marido dela, um policial civil, além do filho de 10 meses, também estavam no veículo. O policial revidou ao ataque e foi ferido a tiros. A criança saiu ilesa.

As Polícias Civil e Federal prenderam cinco suspeitos. Segundo investigadores, todos têm ligação com o PCC.

Melissa Almeida trabalhava na Penitenciária Federal de Catanduvas. Ela era considerada uma excelente funcionária e muito querida pelos colegas.

Em 12 de abril deste ano, o agente Henry Charles Gama Filho, 50 anos, morreu a tiros em um bar em Mossoró.

O PCC é suspeito de ter ordenado a execução de Henry. Ele era funcionário da Penitenciária Federal de Mossoró.

Os ataques do PCC contra agentes federais deixaram a categoria em pânico. Eles são cerca de mil trabalhadores no país. Todos foram orientados a redobrar a cautela durante a ida e a volta do serviço e também nos momentos de folga.

Em São Paulo, o PCC já foi acusado de matar policiais militares, juiz de Direito, agentes penitenciários, diretores de presídios e advogados, além de sequestrar jornalistas.

Outro lado

A reportagem não conseguiu localizar e entrevistar os advogados de defesa de Roberto Soriano.

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