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Em 25 anos, é a primeira vez que ouvidor das polícias de SP não é reconduzido ao cargo

06/02/20 por Maria Teresa Cruz

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Elizeu Soares Lopes assume o lugar do sociólogo Benedito Mariano, que afirmou não ter sido reconduzido ‘mais pelo que fez do que pelo que não fez’

O sociólogo Benedito Mariano ficou dois anos no comando da Ouvidoria da Polícia de SP | Foto: Maria Teresa Cruz/Ponte Jornalismo

O advogado Elizeu Soares Lopes foi nomeado novo ouvidor da Polícia de São Paulo, segundo publicação no Diário Oficial do Estado de SP. Ele assume o lugar do sociólogo Benedito Mariano, que tinha sido o mais votado na lista tríplice, com 9 votos. É a primeira vez em 25 anos que o ouvidor não é reconduzido para um segundo mandato.

O governador João Doria (PSDB) escolheu o terceiro na lista tríplice. Elizeu teve 5 votos. Em segundo lugar estava Cheila Maria Subenko Olalla, com 7 votos. Elizeu é ex-funcionário da Alesp (Assembleia Legislativa de SP), foi secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Promoção de Igualdade Racial da gestão de Fernando Haddad e é ligado ao PCdoB. A formação da lista tríplice é comandada pelo Condepe (Conselho Estadual de Defesa à Pessoa Humana).

Em entrevista na sede da Ouvidoria, nesta quinta-feira (6/2), Mariano não disfarçou a decepção pelo fato de não ter sido informado da decisão pelo governador. “Eu soube pelo Diário Oficial. Acho que faltou delicadeza do governador que poderia ter avisado quem estava no cargo que não ia ficar. Foi deselegante”, afirmou o ouvidor.

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Ele revelou que há uma semana recebeu a ligação do coronel Álvaro Camilo, secretário executivo da PM, que informou que a cúpula da Secretaria de Segurança apoiava um segundo mandato dele.

“Acredito que eu não fui nomeado muito mais pelo que fiz do que pelo que não fiz. Foi o ano de maior produtividade da Ouvidoria. Meu mandato foi possivelmente o que mais dialogou com as três polícias. A decisão é do Doria e eu desejo que o Elizeu faça um bom trabalho. Na história da Ouvidoria é a primeira vez que o ouvidor não é reconduzido”, destacou.

O advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe, considerou lamentável que Doria não tenha levado em conta o mais votado na lista tríplice. “Certamente a atuação combativa do atual Ouvidor diante da crescente violência policial favoreceu essa decisão. O novo Ouvidor, o advogado Elizeu Soares Lopes, tem currículo e condições para também fazer um bom mandato”.

Em 2015, o antecessor Geraldo Alckmin fez o mesmo que Doria: Ariel era o mais votado, mas Júlio Cesar das Neves foi reconduzido ao cargo.

Mariano lamenta o fato de que não conseguirá concluir o relatório sobre a ação policial no massacre de Paraisópolis, em dezembro, quando nove pessoas morreram em um baile funk. “A localização das viaturas não seguiram o manual básico da Polícia Miltar sobre controle de distúrbio civil. Uma ocorrência com nove mortes não é uma boa ocorrência. Foi improvisada, precipitada e desastrosa”, criticou.

O presidente do Condepe, Dimitri Sales, considera que a decisão do Doria passou por interesses da Assembleia Legislativa, da Bancada da Bala. “A gestão do Benedito foi pautada por bastante ativismo o que gerou incômodo em deputados ligados à Polícia Militar e Civil. Especialmente em dezembro, com o ocorrido em Paraisópolis, a Ouvidoria e o Condepe passaram a ser atacados por esses deputados. Me parece que o Doria, ao tomar alguma decisões como afastar das ruas os policiais envolvidos nessa ação, desagradou esse deputados. Na contagem política pesou a nomeação do Mariano”, destacou.

“Não quero com isso desmerecer a nomeação do Elizeu, porque é legítima, ele tem histórico que o credita a vir para a Ouvidoria, mas não dá pra ignorar esse fato político em torno do massacre de Paraisópolis”, concluiu Dimitri.

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