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Faz meio ano que as famílias de presos em SP não podem visitar seus parentes

18/09/20 por Arthur Stabile

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Quer dizer, nem todas: policiais presos nunca tiveram nenhuma restrição. ‘Não há nenhum plano de retomada’, reclamam familiares

Não há data para as visitas voltarem | Foto: Daniel Arroyo/Ponte

Foi no fim de semana dos dias 14 e 15 de março deste ano a última vez que familiares tiveram contato físico com os presos no estado de São Paulo. Exceto para os policiais detidos no Presídio Militar Romão Gomes, que nunca foram proibidos de receber parentes.

Para a população civil, há seis meses, as notícias vêm apenas em cartas ou visitas online – para quem consegue. O que resta é saudade e relato de punições para quem denuncia os problemas nas cadeias.

A Ponte conversou com familiares e associações que lutam pelos direitos dos presos para entender a situação das famílias. Sobram reclamações por causa da proibição. Uma mulher conta ter entrado na sala da visita online para ver seu filho pela primeira vez em seis meses, mas quem apareceu no lugar foi um carcereiro.

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“Ele me disse que eu não teria a visita porque meu filho tinha acendido um cigarro num lugar que não era para ter acendido”, conta a mãe. Ela começou a chorar na hora e pedir “deixa ver meu filho”.

O cigarro gerou uma falta ao homem, que por isso teve o direito à visita negado. Os parentes contam que isso anda ocorrendo com frequência, principalmente para presos com faltas graves.

“As famílias podiam ir vê-los normalmente quando era visita presencial, mesmo tendo falta grave”, reclama uma mulher, sob condição de anonimato.

Ela participou de reuniões com o secretário da Administração Penitenciária, Nivaldo Restivo, para negociar a volta das visitas, sem obter sucesso até aqui. “Foi questionado para o seu Nivaldo por qual motivo da proibição e ele disse que ia rever, mas faz dois meses que foi falado e não reviu”, explica.

As visitas estão proibidas pela SAP até o fim desse mês. Contudo, o prazo pode ser estendido a qualquer momento, como ocorreu em agosto passado, com a proibição válida por mais 30 dias.

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São Paulo possui a maior quantidade de presos mortos por coronavírus no país, com 26 vítimas. São 7.129 pessoas contaminadas, outras 67 com suspeita de estarem com a doença, além de 6.431 doentes recuperados, segundo dados do Depen (Departamento Penitenciário Nacional).

Os problemas relatados pelas famílias não param nas punições. Além das proibições, as famílias enfrentam dificuldades para se inscrever no sistema de visitas e falam até em visitas interrompidas do nada.

“Tem família que quando o preso tentou falar algo caiu o sistema. Eles estão reclamando por carta que está faltando comida, não está tendo o suficiente”, pontua a Associação de Amigos e Familiares de Presos, por meio de sua assessoria de imprensa.

Segundo Andrelina Amélia Ferreira, conhecida como Andreia MF e fundadora do movimento Mães do Cárcere, as punições acontecem depois das visitas. “Os presos não poder mais falar e até vão para o castigo se falam”, conta.

Ela diz receber relato de visitas com duração de dois ou três minutos, sendo que o total de direito é de cinco minutos de conversa. Nesse tempo, os relatos dos presos assustam.

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“Uma mãe diz que viu o filho por vídeo e ele pedia para ela mandar comida porque estava com fome. Tem muitos casos de presos passando fome”, conta Andreia.

Uma parente diz ter visitado pela última vez em dezembro. O único meio de contato com o familiar preso é por cartas. “Até agora não temos notícia das visitas. Você sabe de alguma coisa?”, questiona, quando perguntada pela reportagem.

“É um absurdo, mas o que podemos fazer? Não tem nem para onde ir”, desabafa uma familiar. “Estamos sem solução, sem retomada, sem devolutiva… Sem nada, perdidos e dependendo de cada mês para receber uma resposta positiva”, afirma.

A Ponte questionou a SAP de São Paulo sobre as denúncias envolvendo as visitas online e relatos de falta de comida, bem como a proibição da videoconferência para presos com punições internas e aguarda um posicionamento.

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