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Policial civil registra queixa por abuso de autoridade contra PMs da Rocam

26/08/20 por Caê Vasconcelos

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“Corregedoria o caralho, vai tomar no seu cu”, teriam dito os PMs após policial ameaçar denunciar abordagem “truculenta e ofensiva” na Vila Madalena, bairro rico da zona oeste de SP

Fachada do 96ºDP onde o caso foi registrado | Foto: Reprodução/Google Street View

O atendente de necrotério policial Daniel Dambrauskas de Mello, 34 anos, abriu um boletim de ocorrências contra dois PMs do 24º Batalhão da PM paulista (Vila Madalena) por injúria e abuso de autoridade após abordagem policial em um bairro rico na tarde desta terça-feira (25/8).

O caso foi registrado no 96ºDP (Brooklin), onde Dambrauskas trabalha, pelo delegado Ubiraci de Oliveira. Segundo a descrição do registro, o policial civil estava em serviço em uma viatura descaracterizada, e teria sido abordado de forma “truculenta, ofensiva, e totalmente em desacordo com as normas que regem o serviço policial”.

O local da abordagem foi a Rua Ibiraçu, altura do número 40, um pouco antes do cruzamento com a Rua Cerro Corá, na Vila Madalena, zona oeste da cidade de São Paulo. Segundo afirmou Dambrauskas na delegacia, os policiais militares da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) estavam sem identificação.

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Ainda no registro policial, Dambrauskas disse que, por estar “com os sinais luminosos devidamente ligados”, percebeu que os policiais militares o seguiam, mas não parou por saber que os PMs poderiam checar que a viatura era uma veículo policial na busca.

Quando o semáforo fechou, continuou o policial civil, uma das motos parou ao seu lado e um dos PMs “empunhou sua arma de fogo, apontando em direção ao vidro do motorista” com gritos de “desce” e “desce, vagabundo”. Dambrauskas narrou que avisou que era policial, ao sair com as mãos para cima, que o carro era uma viatura, mas foi interrompido com a frase “desce dessa porra logo, caralho, vai tomar no seu cu”.

Dambrauskas contou na delegacia que foi revistado, apesar de estar com a identificação no pescoço, e que os PMs ficaram perguntando “cadê sua arma?”, que estava em sua cintura de Daniel. Nesse momento, afirmou o policial civil, os PMs perguntaram, “de forma ríspida”, o porquê de ele estar andando “com essa viatura toda acesa e com o para-choques quebrado nesta região”.

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O agente de necrotério contou na delegacia que nessa altura já estava irritado com a abordagem e questionou o motivo da pergunta, se eles não conferiram que era uma viatura antes da abordagem.

O policial civil descreveu no boletim de ocorrência que, nesse momento, os PMs voltaram para suas motos e passaram, então, a ofendê-lo, com frases como: “É por isso que nós (policiais militares) somos zuados”, “Ó o jeito que vocês andam”, “Vocês são um bando de ladrão”, “Corruptos”.

Nesse momento, continuou Dambrauskas, os PMs começaram a “ordenar” que ele saísse do local, mas um dos policiais militares tirou uma foto traseira da viatura. Dambrauskas apontou que filmou as viaturas e disse que iria na Corregedoria da Polícia Militar, ouvindo de um dos PMs que “Corregedoria o caralho, vai tomar no seu cu”.

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Para o delegado Ubiraci de Oliveira, a abordagem “foi totalmente errada e agressiva”, “devendo o policial agir com urbanidade, imparcialidade, impessoalidade e um mínimo de tratamento civilizado a qualquer cidadão, inclusive outro policial”.

O que diz a SSP e a PM

A reportagem procurou a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar, questionando a abordagem policial e o registro da ocorrência, assim como solicitando entrevista com o atendente de necrotério policial Daniel Dambrauskas de Mello, e aguarda retorno.

A reportagem também ligou no 96ºDP para falar com o policial civil e o delegado que registrou o caso, mas não obteve sucesso.

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