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Festival FALA! traz novas possibilidades narrativas para o jornalismo brasileiro

26/10/20 por Jessica Santos e Elisa Fontes

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Evento online realizado entre os dias 23 e 25 de outubro repensou a comunicação ao trazer jornalistas, artistas e ativistas para o debate

Durante três dias, jornalistas, comunicadores, artistas e ativistas debateram o futuro do jornalismo e seu papel na sociedade brasileira na primeira edição do Fala! Festival de Comunicação, Cultura e Jornalismo de Causas, realizado entre sexta (23) e domingo (25). Foram seis mesas temáticas, 24 convidados e mais de 6 horas de programação, que está disponível online no YouTube do FALA! A iniciativa é uma parceria de quatro mídias independentes (Ponte Jornalismo, Marco Zero Conteúdo, Alma Preta Jornalismo e 1 Papo Reto) com o Sesc 24 de Maio.

Antes da abertura oficial, na sexta-feira (23), aconteceu o #EsquentaFala, evento que teve a presença de dos poetas Priscila Obaci e Akins Kintê, que recitaram os trabalhos de artistas negros como Conceição Evaristo, Inaldete Pinheiro e Oswaldo de Camargo.

A conversa, mediada por Debora Britto, da Marco Zero Conteúdo, e que também teve a participação de Arthur Romeu, dos Repórteres sem Fronteiras, ainda lembrou como o jornalismo independente foi espaço para os escritores e poetas negros circularem seus trabalhos e ideias. “Quase toda historicidade das mulheres poetisas e escritoras [negras] passam pelos jornais e revistas”, pontou Priscila.

Leia também: O jornalismo que mata. E o que celebra a morte

A atriz, poeta e escritora Elisa Lucinda, a jornalista e professora Rosane Borges e o ilustrador e diretor de arte e projetos especiais da Ponte, Antônio Junião formaram o trio que debateu o poder da arte e da cultura na reinvenção do jornalismo, na abertura oficial do FALA!. Em sua intervenção, Elisa Lucinda conclamou: “É hora do jornalista assumir-se como escritor, um cronista, um tradutor”. Na mesma linha, Junião refletiu sobre a “chatice do jornalismo hegemônico”. “Está faltando sair da neutralidade e da normalidade, que é branca. Precisamos discutir com outras vozes”, avaliou.

Ao longo de quase duas horas de conversa mediada por Adriana Reis Paulics, editora da Revista E do Sesc São Paulo, os convidados apontaram possibilidades de enriquecimento do texto jornalístico e também do seu fazer a partir de uma perspectiva artística.

Jornalismo tem lado? Essa foi a pergunta que abriu os trabalhos no segundo dia do FALA!. Mediada pelo editor do Correio Nagô (BA), André Santana, a mesa contou com a professora da UFPE e colunista da UOL, Fabiana Moraes, a jornalista e ativista da Maré (RJ), Gisele Martins, e artista e ativista do movimento LGBTQI+ (SP), Jup do Bairro. “Se o jornalismo brasileiro nunca teve lado, por que só agora a gente está pautando a não-presença de pessoas negras nos espaços decisórios?”, questionou Fabiana durante a conversa. Gizele Martins falou da visão deturpada que a mídia tem das periferias e como isso atinge a sociedade negativamente.

O último papo de sábado foi sobre jornalismo econômico e sua relação com as periferias, conduzido por Rosenildo Ferreira, fundador do coletivo 1 Papo Reto. Participaram do debate Elaíze Farias, editora e cofundadora da Agência de Notícias Amazônia Real (AM), Gilvan Bueno Costa, financista e comentarista do programa Painel da Manhã, da rádio Roque Pinto (RJ) e Mônica Santana jornalista, atriz e pesquisadora (BA). Elaíze comentou sobre como a noção do progresso na Amazônia está relacionada a um entendimento de riqueza e pobreza que não leva em conta a realidade dos povos da região. Já Gilvan e Mônica observaram o distanciamento do mercado financeiro da população e da falta de educação financeira, principalmente nas periferias.

Domingo

Os trabalhos do último dia do FALA! foram abertos pela mesa Comunicar e informar: os múltiplos formatos do diálogo, mediada por Laércio Portela – editor e cofundador da Marco Zero Conteúdo (PE). Bob Mahuaie, músico moçambicano, representou a música como uma narrativa informativa enquanto Bruna Bandeira, ilustradora, pedagoga e CEO do Projeto Imagine e Desenhe (SP), representou as artes gráficas. O samba é o panorama pelo qual Claudia Alexandre, jornalista e pesquisadora de cultura afro-brasileira (SP), produz conteúdo.

Durante o debate, o mediador Laércio destacou que “somos todos produtores de conteúdo. Nesse cenário, acreditamos que o jornalismo precisa interagir com novas narrativas, mais diversas, que contem, com mais cores e potência, as histórias que realmente precisam ser realmente contadas”.

Para o encerramento do festival, a mesa Jornalismo Offline Pós Pandemia, mediada por Pedro Borges, cofundador da Alma Preta Jornalismo, lançou um olhar para o futuro ao discutir o tema com Juçara Teresinha,  comunicadora da Rádio Cantareira FM (SP), Levi Costa, rapper e comunicador da Comunidade Três Carneiros (PE) e Walter Kumaruara, educomunicador da Rede Mocoronga e da comunidade de Pedra Branca, da reserva extrativista Tapajós Arapiuns (PA).

Leia também: Inovação no jornalismo e diversidade nas redações dominam Festival 3i, no Rio

Entre os desafios apresentados por esses comunicadores periféricos, o acesso a internet e a recursos foram destacados. Ainda assim, as três iniciativas conseguiram se fazer presente para suas comunidades durante a pandemia. Seja levando informações de barco ou bicicleta em locais onde o rádio não chega, seja criando uma rede solidária em áreas onde o poder público não atua.

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