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Cinco anos após maior chacina de SP, mães e irmãs cobram resposta da Justiça e indenização

15/08/20 por Arthur Stabile

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Em agosto de 2015, 19 pessoas foram assassinadas; três PMs e um guarda civil foram condenados pelo crime: “peço que se reconheça a incapacidade desses policiais”, diz uma das mães

Familiares de vítimas pediram respostas do Estado | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Desde 13 de agosto de 2015, 19 famílias vivem dia após dia em busca de justiça após a maior chacina da história de São Paulo. As vítimas foram assassinadas em ataques que aconteceram nas cidades de Osasco, Barueri, Carapicuíba e Itapevi. São cinco anos de luta por justiça e espera por reparação pelos homicídios de seus entes queridos.

Leia também: Justiça anula condenações de dois réus da chacina de Osasco, a maior da história de SP

Um protesto na tarde deste sábado (15/8) prestou homenagens e cobrou o poder público no Jardim Munhoz Júnior, na periferia de Osasco, um dos pontos dos ataques daquela noite. Afinal de contas, três PMs e um GCM (Guarda Civil Municipal) foram condenados pelo crime. Dois aguardam novo julgamento em liberdade. As penas variam de 100 até 255 anos. Participaram da organização as Mães de Maio e a Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio.

Dois deles tiveram a sentença revertida na segunda instância, que considerou fraca as provas para ligá-los à chacina. O PM Victor Cristilder Silva dos Santos e o GCM de Barueri, Sérgio Manhanhã, sentenciados a 119 e 100 anos, respectivamente, aguardam novo julgamento.

Enquanto isso, os PMs Fabrício Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain foram condenados a 255 e 247 anos de prisão e têm pena mantida. Eles foram expulsos da corporação.

“Não sabemos quando será o novo julgamento [de Cristilder e Manhanhã]”, diz dona Zilda Maria de Paula, mãe de Fernando Luis de Paula, morto no ataque. Ele era seu único filho. Dona Zilda havia tido dificuldades nas gestações até, finalmente, Fernando nascer. Enfrentou quatro abortos espontâneos.

Leia também: Militares condenados por maior chacina de SP são expulsos da PM

A mulher é pessimista quanto à responsabilização dos assassinos e o pagamento de indenização às famílias. “Capaz d’eu morrer e… Muitas mães estão doentes. Eu perco muitas noites de sono. Estou contando com nossas lutas, das Mães de Maio, Mães da Zona Leste, das Mães de Mogi das Cruzes, do Rio de Janeiro. Mães do Brasil inteiro. E a violência continua”, lamenta.

As mães estiveram em peso no ato, feito em frente a um bar na entrada do bairro pobre. Rosa Correia, mãe de Wilker Osório, lamenta que as famílias passam necessidade após as mortes. “Estamos cobrando justiça, indenização. Não traz de volta, mas ameniza a necessidade”, diz. Seu filho levou 40 tiros nas costas.

Mães das vítimas puxaram o ato em Osasco | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Maria José Lima Silva, mãe de Rodrigo Lima da Silva, destacou a dificuldade financeira vivida pelos familiares após as perdas. Morto aos 16 anos, Rodrigo seria pai seis meses após a chacina. Hoje, Dona Maria cuida da neta, que completará 5 anos no começo de 2021.

Em determinado momento, Zilda se aproximou da bandeira com os rostos das vítimas da chacina. Disse nome a nome no microfone, dizendo um breve histórico de vida, sendo respondida pelo público: “Presente!”.

Maria José Lima Silva, mãe de Rodrigo Lima da Silva, morto aos 16 anos | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Também havia irmãs de vítimas do Estado no ato. Fabiana, irmã de Rodrigo, desabafou. “Merecemos o mínimo de respeito, de solidariedade. Venho pedir que se faça Justiça e reconheça a incapacidade desses policiais. Policial não é aquele que te vê tomando um sorvete e te mata, é aquele que evita crimes. Temos força e sangue na veia. Vamos lutar até o fim”, disse.

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Além dela, Francilene Gomes, integrante das Mães de Maio, enalteceu a participação das mulheres na luta contra a violência. O irmão de Fran, Paulo Alexandre Gomes, é um dos quatro desaparecidos de maio de 2006, quando as forças de segurança, sob alegação de responder os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), fizeram mais de 500 civis vítimas.

Fran exaltou a presença e a força de mulheres negras liderarem a busca por respostas. “A transformação dessa barbárie virá das mulheres negras, das mães. Através de nós ela terá um freio”, afirma, se referindo à violência policial. Durante o ato, as mães relembraram as mortes de Rogério Ferreira, no Parque Bristol, e de Guilherme Guedes, na Vila Clara, ambos assassinados por PMs na zona sul de São Paulo.

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